Limites, riscos e cuidados na cirurgia plástica
O trabalho cirúrgico de restabelecimento corporal da forma e função é uma causa nobre e árdua, muitas vezes desafiante para quem se submete e para quem trata. Ao contrário do escultor que tem nas mãos matéria amorfa e muitas vezes descartável para moldar, lidamos com tecidos vivos, por enquanto insubstituíveis, sujeitos a fatores de cicatrização, irrigação sanguínea, infecção, trauma, estado nutricional, entre vários outros, tornando os resultados limitados, quando comparados às obras primas dos artistas. Destarte, o título de “escultores de corpos” deve ser usado com cautela, pois a comparação com o escultor é desigual. Assim, esses limites entre o desejável e o alcançável nunca devem ser negligenciados, para que haja uma expectativa realista e se possa alcançar o melhor resultado possível.
Felizmente, conseguimos muito bons resultados e a satisfação costuma ser constante em nosso dia a dia. A ciência e o desenvolvimento da cirurgia plástica caminham a passos largos, trazendo inovações e recursos ao exercício da especialidade, oferecendo técnicas e tratamentos mais eficazes, menos invasivos e mais seguros.
A segurança ganha destaque, sobretudo no aperfeiçoamento das técnicas anestésicas, incluindo drogas e equipamentos utilizados, reduzindo enormemente o risco de maiores complicações. Infelizmente, esses recursos de valor inestimável à segurança e à vida do paciente são muitas vezes negligenciados. Quando anúncios são exibidos supostamente como inovações, prometendo satisfação total com procedimentos cirúrgicos realizados em consultório, fora do ambiente hospitalar, devemos ficar atentos. Na realidade, salvo raras exceções, entendemos que essa prática priva o paciente de todas aquelas modernidades citadas, colocando em risco sua vida por não oferecer esses recursos existentes nos hospitais atualmente.
Um bom exemplo desse problema são as lipoaspirações realizadas em consultórios, divulgadas como lipolight, hlpa, hidrolipo, lipo rápida, etc. Esses casos podem se tornar a aplicação do famoso ditado popular que diz que “às vezes, o barato sai caro”.
Há também que se evitar os exageros e as distorções da aparência. O cuidado com esses casos deve ser observado, pois a busca pelo equilíbrio das proporções corporais tem suas limitações e nunca deve ser
confundida com a busca frenética pela perfeição absoluta e pela adoção de padrões não naturais ou que não se encaixem no perfil estético do indivíduo. Seja como forma de compensação de angústias pessoais ou fuga de problemas de ordem psicológica e de relacionamento.
A dismorfofobia, também denominada de transtorno dismórfico corporal ou síndrome da distorção da imagem é um transtorno da percepção e valorização corporal e é muito mais comum do que se imagina. Consiste em uma preocupação exagerada com algum defeito inexistente na aparência física, ou ainda, uma valorização desproporcional de possíveis anomalias físicas que poderiam manifestar-se.
Além disso, os tratamentos “da moda” devem ser observados com cautela, pois qualquer procedimento médico novo requer alguns anos de experiência e evolução, para se avaliar os resultados a médio e longo
prazo, antes de tornar-se consagrado como bom tratamento.
Outro cuidado importante a se tomar, é verificar se o médico cirurgião é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e se está devidamente registrado no conselho (federal ou regional) de medicina como Especialista em cirurgia plástica. Mesmo dentro da Sociedade, existem níveis de graduação, sendo o maior, o Titular. Além disso, ele deve estar familiarizado com o procedimento que você quer realizar.
Se o médico tiver apenas cursos de medicina estética, cirurgia estética, cosmética médica, etc., cuidado! Ele não é Cirurgião plástico.
Em suma, procure sempre o especialista para resolver o seu problema. Não caia no conto da propaganda, fuja dos curiosos. Por acaso, se você precisasse, deixaria um ortopedista, um ginecologista ou até um cirurgião plástico operar o seu cérebro, se ele fizesse um cursinho de cirurgia cerebral? Ou mesmo se um destes profissionais lhe apresentasse uma especialização em avanços de medicina cerebral? Cremos que não. Você certamente buscaria um Neurocirurgião e ainda assim verificaria se ele possui experiência no seu problema cerebral específico, não é mesmo? Então porque se arriscar quando se trata de cirurgia plástica?
Por isso, não vacile. Cirurgia Plástica é com Cirurgião Plástico!